//Sou o que sou!

Sou o que sou!

Um dos contornos do caráter que mais agradam ao Senhor é, sem dúvida, a gratidão. O apóstolo Paulo é incisivo quando diz: “em tudo dai graças”, ou seja, em tudo agradeça, em tudo tenha um coração grato.

“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1 Tessalonicenses 5, 18). Dar graças deve acorrer em todas as circunstâncias e vicissitudes da sua vida.

Em outras palavras, não é só dar graças a Deus pelas boas coisas, mas também por aquilo que também se vê como algo ruim.

Em tudo um filho amado do Senhor deve agradecer, porque eles têm a garantia de que tudo cooperará para o seu bem: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8, 28).

Agradeça sempre porque o revés da gratidão é a ingratidão. Esta última afasta completamente o homem das bênçãos e promessas de Deus.

Certa vez o Senhor Jesus operou um grande milagre na vida de dez leprosos, e com esta história podemos aprender muito sobre este tema da gratidão.

“De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galiléia. Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós! Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados.” (Lucas 17, 11-14).

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Por conseguinte, naqueles tempos, o leproso era considerado além de ritualmente impuro, um exímio pecador. Esta doença não tinha cura, sendo vista, inclusive, como um castigo de Deus por uma vida pecaminosa.

O acometido de lepra era forçado a deixar sua família e não ter qualquer forma de contato com a sociedade.

Entretanto, Jesus se compadeceu daqueles homens que enfrentavam a dor física pela doença e a dor da alma pela exclusão que a sociedade fazia.

Continuando: “Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?” (Lucas 17, 15-19).

Dez foram curados, Jesus perguntou: onde estão os outros nove? Os nove nutriam em seu coração a ingratidão. Eram pessoas incapazes de reconhecer o amor incondicional do Senhor Jesus por suas vidas, mesmo depois de terem sido curados daquele estigma.

Infelizmente parece que esta porcentagem retrata exatamente a proporção entre gratidão (10%) e a ingratidão (90%) em se tratando de pessoas na atualidade.

Em linhas gerais, você poderia se autoavaliar e responder se você tem sido uma pessoa grata ou ingrata para com Deus?

Senão, vejamos: você agradece ao Senhor por todas as coisas que tem recebido? Conseguiria se lembrar da última vez em que você agradeceu a Deus por algo que tenha recebido?

Lembra o quanto você tanto pediu a Deus um emprego? Você se lembrou de agradecer pela porta de emprego aberta? É dizimista? Ou você é aquele que prefere ficar só reclamando que não aguenta mais o seu chefe?

Quantas vezes você já agradeceu ao Senhor por ter um companheiro ao seu lado? Será que você prefere ficar o tempo todo dizendo que ele não presta, ou que ele não serve para nada, ou que é infeliz ao seu lado? Lembre que da sua boca pode proceder bênção e maldição (Tiago 3, 10) e talvez você tem sido quem mais traz maldição para a sua casa.

Quanto tempo você não vai a igreja para agradecê-Lo? “Dar-te-ei graças na grande congregação, louvar-te-ei no meio da multidão poderosa.” (Salmos 35, 18). Estar na igreja é uma forma de agradecer, devemos louvar ao Senhor na multidão dos santos que representa a congregação que você faz parte, a sua comunidade de fé.

Eu agradeço ao Senhor todos os dias por ter gerado em minha vida o sonho da Igreja Cristã Contemporânea. Imagine em que lugar os LGBTQI+ participariam de um culto com seus respectivos companheiros e seus filhos, sem acusação, sem exclusão, em qual igreja estariam exercendo seus ministérios?

Amado leitor, não seja como aqueles nove leprosos que depois de terem sido grandemente abençoados por Jesus, estavam mais preocupados em “recuperar” o tempo perdido em coisas passageiras e esqueceram do mais importante que é o Senhor.

Saiba que foi aquele único leproso que voltou dando glória a Deus que, além de ter sido curado, saiu daquele reencontro salvo e transformado.

Disse Jesus: “Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.” (Lucas 17, 18-19).

Quem voltou para dar glória a Deus foi um samaritano. Muito interessante isto, pois os samaritanos eram discriminados nos tempos de Jesus. Eles eram odiados pelos judeus por uma questão racial, porque descendiam de uma raça misturada com os Babilônios.

Concluímos que aquele leproso que voltou para agradecer era duplamente discriminado, tanto por ser leproso como por ser samaritano. Entretanto, ele conheceu o amor de um Deus que não discrimina e voltou dando Glória a Deus.

Os leprosos dos dias atuais são os homossexuais que recebem o preconceito duas vezes: na sociedade que ainda exclui e o pior de todos, nas igrejas pelos homofóbicos religiosos dos nossos tempos.

Faço um desafio a você: venha agradecer ao Senhor Jesus pelo que você é em nosso ministério! Sim, pois talvez você ainda creia ser uma maldição por ser homossexual, um leproso da atualidade simplesmente porque é diferente.

Dar graças pelo que se é em Jesus é uma grande bênção, pois alegra o coração de Deus. O Apóstolo Paulo disse: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou…” (1 Coríntios 15, 10), agora é a sua vez de dizer isto aqui na Igreja Cristã Contemporânea.

homossexualidade

Pastor Marcos Gladstone